Cidade Tiradentes no Fantástico – Ferida aberta de 500 anos de desigualdade social

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No último domingo, dia 13 de agosto, a rede de televisão com a maior audiência do país, mostrou para o mundo os problemas da Cidade Tiradentes e com isso escancarou os efeitos da desigualdade social no pais.
Cidade Tiradentes
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A matéria do Fantástico sobre a Cidade Tiradentes , que citou com destaque o nome do bairro mais de oito vezes em uma reportagem depreciativa de quase 15 minutos, esqueceu de ressaltar que o local é considerado o maior Complexo Habitacional da América Latina e que abriga cerca de 211.500 com estimativa de 270.000 a 300.000 habitantes em 2023, que encontraram na comunidade a chance de realizar o sonho da casa própria. Asseguro, sem medo de errar, que em sua maioria são  trabalhadores honestos, com histórias de superação incríveis, que renderiam não só uma matéria, mas infinitos capítulos de séries sobre empreendedorismo,  superação e uma inteligência orgânica, que não existe em nenhuma Universidade do mundo.

 

“Só quem viveu ou vive em subhabitações sabe a importância de ter um lar na comunidade.”

 

Aproveito para ressaltar que é  essa população, que mantém, apesar do avanço da internet, a economia robusta das TVs abertas e do país. O que por si só já mostra a discrepância de não haver conteúdos, que exaltem as potencialidades escondidas nessas comunidades. Ao contrário, apenas chafurdam na problemática que corrói todo o país, começando pelas classes dominantes, que tentam disfarçar os seus problemas com uma roupagem mais sofisticada. Ou seja, se aqui eles desmancham veículos, o que é absolutamente condenável e criminoso, a elite financeira do país está condenando vidas à miséria há mais de cinco séculos.

 

Cidade Tiradentes é o retrato da desigualdade social, da ferida aberta de 500 anos de escravidão e da abolição feita como uma feira livre de vidas. Dívida histórica que resulta no ônus dessa tragédia, que causou indignação em milhões de pessoas na noite de domingo.

 

Por fim, aproveito para ressaltar, que é uma prática comum dos moradores, ao preencher uma ficha de emprego, para evitar preconceitos, esconder que moram no bairro. Agora tenho certeza que, depois da matéria do Fantástico,  o melhor será falar que moram em Marte. Porque sem dúvida alguma o preconceito vai aumentar ainda mais.

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Em tempo: Sugiro que o programa crie um conteúdo falando sobre a arte e a cultura da comunidade, começando com a exibição da série “Riqueza Ignorada”, filmada sem os recursos dos equipamentos da reportagem, mas que mostra a verdadeira face dos moradores do bairro. Além disso, gostaria de propor a realização de projetos apoiados pelo Criança Esperança na comunidade. Dessa forma a emissora poderá contribuir para diminuir a desigualdade social.

Claudia Canto é escritora com mais de 16 livros publicados, alguns com tradução para o inglês e o alemão. Palestrante, proprietária da Editora Claudia Canto e moradora da Cidade Tiradentes.

 

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