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Terça, 22 Outubro 2013 00:00

Até uma criança percebe - edição 202

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Meus caros, hoje tomo a liberdade de passar a palavra para a Lana, aluna de 7ª série de uma escola pública municipal, que escreveu, a meu ver lindamente, sobre as dificuldades de se promover uma vida mais saudável, feliz na cidade. Era o tema da redação.

O texto de Lana mostra duas coisas importantes, primeiro, que uma criança pode perceber o quanto o individualismo imposto por um sistema social excludente inviabiliza a possibilidade da maioria das pessoas (os pobres) terem vida digna e saudável. Trata de individualismo e da falta de solidariedade. Outro aspecto é que, pelo texto se nota que as crianças de escolas públicas têm tanta inteligência quanto qualquer outra criança, que podem sim aprender e se desenvolver bem nas letras (como também na matemática e nas ciências e nas artes e na música e na vida) mesmo sendo de origem pobre: é só ter professores que se dediquem. Além disso, no caso, a Lana tem muito brilho e sensibilidade também. O texto é tão honesto que, realmente, acho que só uma criança poderia escrever. Parabéns Lana:

“O fato é que enquanto ocorrer essa coisa de só pensarmos em dinheiro e os mais pobres em correrem atrás de sua sobrevivência, não vai haver uma solução. Eu vejo isso como uma corrida, onde as pessoas correm em uma mesma direção, porém o prêmio é diferente para cada pessoa e, lá em cima, no camarote, estão os ricos.

Enquanto corremos, ganhamos apenas o suficiente para termos resistência para continuar, no entanto, os ricos ganham por nós. Quando um corredor vai ao chão, nenhum outro irá ajudar. Estarão ocupados demais correndo atrás do seu precioso prêmio.

E é isso que acontece conosco! Estaria disposto a parar sua corrida para ajudar a quem está caído e ficar para trás? Acho que não.

Portanto eu digo, não haverá uma completa solução enquanto essa idéia de capitalismo existir e tivermos um governo que ao invés de nos dar uma base firme só fortalece o interesse dos que já estão bem de vida; talvez, se conseguíssemos alguém que realmente se importasse com os direitos dos pobres, teríamos mais tempo para ajudar a quem está ao nosso lado caído.”

Zulmara Salvador: Socióloga, Antropóloga, Consultora em Meio Ambiente e Membro da Equipe Pedagógica do Instituto Argumentos – Ciência e Cultura.

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