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Terça, 29 Julho 2014 12:25

Não vamos falar de futebol - edição 215

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O Brasil perdeu feio. Mais feio do que o autorizado, pois é rico e bem posicionado no ranking mundial. Mas por quê?

 

Porque faltam investimentos na formação. Falta planejamento tático e aprimoramento técnico. Falta autocrítica, disciplina e dedicação ao trabalho. Sobram arrogância e prepotência. Sobram valorização falsa da imagem das equipes e muito marketing, em detrimento do reconhecimento da verdadeira situação de fragilidade e crise que enfrentamos. Se não, vejamos:

Investimentos na formação: Pelos dados do Pisa de 2012, o Brasil está em 55º lugar em leitura, 58º em matemática e 59º em ciências, num ranking com 65 países. O Brasil está 86 pontos abaixo da média dos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Quase metade (49,2%) dos alunos brasileiros não alcança o nível 2 de desempenho na avaliação que tem o nível 6 como teto. Isso significa que eles não são capazes de compreender um texto, quando lêem. Formação deficiente!

Planejamento tático: O Brasil privilegia a manutenção do modelo de exportação de commodities (bens naturais para serem industrializados fora: minérios, soja etc.), importando produtos industrializados, que têm valor agregado – vejam acordos assinados com a China logo após a copa. Os gastos públicos são altíssimos, mas os investimentos em infra-estrutura são pífios. Por outro lado, estimula-se o crédito do pequeno consumidor interno o que, na verdade, significa endividamento das famílias, gerando uma bolha perigosa para a economia e estimulando o consumismo. E, para finalizar, o controle da inflação se faz apenas com juros altos. Em resumo, nossa política econômica privilegia o equilíbrio monetário em detrimento do desenvolvimento sustentável. Tática errada!

Aprimoramento técnico: Um em cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no Brasil abandona a escola antes de completar a última série, sendo esta a 3ª maior taxa de evasão entre 100 países, conforme dados de 2012. O aprimoramento técnico requer muito treino, muito estudo, muito trabalho, repetição de exercícios, capacidade para suportar a frustração do erro e coragem para continuar treinando até atingir o acerto. A escola deve ensinar isso às crianças e aos jovens, mas não só ela. A sociedade e a família precisam acreditar que só é possível vencer com muito trabalho. Mas não é essa mensagem que temos passado a nossas crianças e jovens. Nossa regra tem sido a do MENOR esforço, pois acreditamos que “deus é brasileiro” e que “tudo vai dar certo no final”. Não vai se não começarmos a usar a lei do MÁXIMO esforço, treinando e trabalhando muito, pois estamos ruins tecnicamente.

Arrogância, prepotência e marketing: Nossos representantes, mesmo frente aos dados que demonstram as fragilidades nos fundamentos mais essenciais que garantiriam nosso desenvolvimento seguro, insistem em afirmar nossa “superioridade” e dizer que críticos são aqueles que querem agourar nosso sucesso. E tudo é envolvido por campanhas de marketing muito bem feitas, onde muita gente ganha muito dinheiro e muito mais gente, que paga esse dinheiro, é enganada.

Viram como não falei de futebol?! Mas se acham que isso lembra em algo nossa seleção, não é mera coincidência, não. O futebol, assim como o meio ambiente, é o retrato da cultura da gente!

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