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Segunda, 26 Junho 2017 16:21

Triste Trópico

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Estou me debatendo há dias para escrever este artigo, pois não queria mencionar as barbaridades que se desvendam diante nossos olhos arregalados de espanto todos os dias defronte a televisão.

Uma coisa patética de gente sendo filmada correndo prá lá e prá cá com malas cheias de dinheiro; de gravações de conversas de pessoas “ilustres” da nossa dita Republica combinando “tenebrosas transações” nada republicanas; de juristas e magistrados desfiando rosários infindáveis cheios de termos rocambolescos para expressar juízos nem sempre claros e, mesmo, um tanto duvidosos, que afetarão os destinos de todos nós, que fazemos parte desta Nação incorrigivelmente corrupta. Eu deveria falar sobre Meio Ambiente! Mas qual meio ambiente se pode abordar num ambiente político de prosaica figura como é o nosso? A gente sente uma vergonha! Um mal estar geral tem contaminado nossos dias, todos os nossos dias, já há anos e que parece não ter fim. Ou, pelo menos, as esperanças de um “final feliz” vão ficando cada vez mais distantes.

Mas essa promiscuidade que se revela em estratagemas mirabolantes e inacreditavelmente descarados entre políticos, empresários, magistrados, servidores públicos e mais um monte de gente que deseja ter sucesso, ou seja, ter dinheiro e que, portanto, aceita placidamente participar de falcatruas, são as entranhas da sociedade da qual todos nós fazemos parte. Eu já escrevi mil vezes que a classe política e a classe dominante de um país são o reflexo da sociedade desse país. Então, oras bolas, ficamos atônitos, mas somos nós que elegemos “os caras” e, também, somos nós invejamos os milionários que conseguiram virar milionários porque sacanearam com todo mundo para obter benefícios próprios e chegar onde chegaram. Sem escrúpulos, sem honestidade! Roubando dinheiro público que provém não de uma milagrosa árvore de notas verdes, mas do trabalho de toda a sociedade, que fica a ver navios nos quesitos mais básicos para sua subsistência.

Então, para falar de meio ambiente nos dias atuais, tenho de falar sobre o que está acontecendo no noticiário político, que mais parece um folhetim policial de muito mau gosto, pois o meio ambiente humano é composto de necessidades conhecidas como “necessidades básicas”: saúde, educação, moradia, cultura, bem estar... Sem isso, um ser humano se “desumaniza”. E a corrupção desumaniza as pessoas: tanto o corrupto, que vira um monstro predador para obter dinheiro e poder para si mesmo, quanto as vítimas da corrupção, que perdem tudo graças aos desvios faraônicos de recursos que deveriam proporcionar-lhes as condições básicas de vida. Perdem seus empregos, perdem suas casas, não conseguem acessar a saúde, não têm boa educação e cultura de boa qualidade. Perdem, assim, a dignidade. É uma coisa muito perversa!

E para completar o caldo de horrores em que nos encontramos, estão a todo o vapor as modernas “espingardas de cano curto” que são as redes sociais, por meio das quais as pessoas comuns se sentem poderosas e destilam seus ódios, preconceitos e discriminações, mantendo assim uma roda perversa de alienação e desagregação social, que são o fermento básico de uma sociedade emparedada na mediocridade individualista e, portanto, egoísta, que impede o desenvolvimento saudável daquilo que chamei acima de meio ambiente humano.

Ao contrário de alguns filósofos que acreditam que a competição foi o elemento fundamental em nossa evolução para nos tornarmos os bichos mais poderosos do Planeta, tornando-nos humanos, compactuo com aqueles analistas sociais que defendem que o mais forte de um bando de primatas se tornou basicamente humano no dia em que ele parou a corrida em direção à caça para esperar um filhote que havia se desgarrado do bando. Somente os seres humanos podem escolher entre poder e dinheiro ou honestidade e solidariedade. Que escolha você faria hoje, meu caro leitor? Hein?!?

Zulmara Salvador: Socióloga, Antropóloga, Consultora Ambiental e especialista em Educação Ambiental e Comunicação Social.

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Zulmara Salvador

Zulmara Salvador é Socióloga, Antropóloga e Consultora em Meio Ambiente.

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