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Sexta, 26 Fevereiro 2016 10:52

Alternativas Tecnológicas Inteligentes: O biometano

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Apesar de tantas más notícias e de tantos problemas ambientais com os quais vimos nos defrontando ultimamente, a tecnologia voltada à busca de alternativas ambientalmente mais adequadas e inteligentes evolui de forma sistemática e vem apresentando ótimos resultados que contribuirão para mudanças importantes de paradigmas em diversos setores, sobretudo o energético e de gestão de resíduos. É claro que isso depende também da evolução da inteligência política de nossos governantes, ou - se isso não acontecer, o que é bem provável – ocorrerá em decorrência das formas atuais de exploração, processamento e utilização dos recursos naturais para geração de energia não serem mais viáveis, em razão do colapso da disponibilidade e, portanto, de seu alto custo econômico. Ou seja, a crise gerará a mudança. Como sempre.

Uma dessas alternativas é o biometano, que é o um tipo de biogás resultante de matéria orgânica transformada em energia e que contribui, portanto, para a redução de emissões de gases do efeito estufa, posto que deixa de ser dispersado na atmosfera para se transformar em combustível. Pode ser feito a partir de dejetos de animais, como de galinhas e porcos. Ao mesmo tempo em que reduz a pressão sobre o uso de combustíveis fósseis e não renováveis, como petróleo ou gás natural, contribui na redução dos impactos decorrentes do descarte destes dejetos que é, sempre, bastante complicado. O lixo comum, orgânico, também gera biogás e é uma das matrizes possíveis de produção do biometano.  

Hoje, no Brasil, já se utiliza o biogás de aterros sanitários para a geração de energia elétrica, mas o uso do biometano em frotas de veículos pesados, como caminhões e ônibus, começa a tomar corpo e será muito bom como substituto do diesel. No Rio Grande do Sul, já há algum tempo, parte da frota de ônibus passou a circular abastecida com o gás dos aterros. Agora o estado sai novamente na frente, com a proposição da política estadual do biometano, que deve ser encaminhada à Assembleia Legislativa proximamente e com o Programa Gaúcho de Incentivo à Geração e Utilização de Biometano (RS-Gás). Mas em todo o Brasil, milhares de postos que já dispõem da distribuição de GNV estão começando a receber e distribuir o biometano também para veículos de passeio.

É tudo muito simples: os postos que estão autorizados a vender GNV podem vender biometano sem problemas e não serão necessárias infraestruturas, pois o mesmo pode ser distribuído, por exemplo, a partir de uma usina instalada numa fazenda de gera milhares de toneladas de esterco de galinha ou de porco e passa a processar tudo isso e gerar o gás, que é comprimido, colocado em cilindros e encaminhado ao posto, por carretas abastecidas pelo mesmo gás. Por uma vez, os órgão governamentais parecem racionais e a ANP (Agência Nacional do Petróleo) autoriza qualquer posto de combustíveis que tenha certificação para vender GNV a vender biometano, automaticamente. Sem burocracia. Parece até milagre! Não vou nem elogiar, que de repente eles mudam a normativa!

A dor de cabeça de muitos granjeiros e suinocultores, decorrente da necessidade de disposição adequada dos dejetos, com seus custos atrelados, pode virar alegria e passar a significar ganhos econômicos decorrendo, ainda, em externalidades ambientais positivas, como redução da poluição do solo, das águas e das emissões de gases. Resta que se consolide.

No Brasil, sofremos de um mal terrível, que é a obseção pelo petróleo e pelas hidrelétricas, quando temos outras importantes fontes energéticas como a solar, a eólica, os biocombustíveis, que não vingam, pois não se trata com seriedade de suas potencialidades. Assim, estamos, hoje, muito atrasados em termos de diversificação de matrizes energéticas, quando poderíamos, graças a nossas características geográficas, climáticas e econômicas, ser referência internacional. Por opção política, continuamos dependentes do petróleo, a um alto custo, tanto econômico, quanto ambiental. Vamos ver quanto tempo leva, mas isso tem que mudar e a diversificação de matrizes é a solução mais inteligente e viável. E inevitável!!

Zulmara Salvador: Socióloga, Antropóloga, Consultora Ambiental e especialista em Educação Ambiental e Comunicação Social.

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Zulmara Salvador

Zulmara Salvador é Socióloga, Antropóloga e Consultora em Meio Ambiente.

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