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Quarta, 13 Junho 2018 07:24

Brasil é o primeiro país no mundo a aprovar o uso combinado de imunoterapia e quimioterapia para tratar câncer de pulmão

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Segundo estudos, a nova indicação reduz em 51% o risco de morte de pacientes com a doença

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) acaba de aprovar o uso combinado de pembrolizumabe – a imunoterapia anti PD-1 da MSD – e quimioterapia para tratamento de pacientes com câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) em estágio avançado ou metastático, a maior causa de mortes por câncer no mundo.

Primeiro país a aprovar o uso combinado dos tratamentos, o Brasil utilizou como base os resultados do estudo Keynote-189 apresentados durante o American Association Cancer Research (AACR) e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine – que mostram que o uso de pembrolizumabe associado à quimioterapia (pemetrexede e cisplatina ou carboplatina), quando utilizado em primeira linha de tratamento, reduziu em 51% o risco de morte em pacientes com câncer de pulmão em comparação ao tratamento padrão com quimioterapia (HR = 0,49 [IC 95%, 0,38-0,64]; p <0,001)[1]. Os Estados Unidos começaram a fazer uso combinado de imunoterapia e quimioterapia no tratamento de câncer de pulmão com base nos resultados do estudo 21G (uma versão anterior do Keynote-189, que avaliou uma parcela menor da pacientes), de forma condicionada, ou seja, devido aos bons resultados do estudo, eles começaram a utilizar essa indicação, porém, aguardam aprovação do FDA (Food and Drug Administration) para o Keynote-189.

O Keynote-189, um estudo Fase 3, demonstrou redução do risco de progressão da doença ou morte em 51% nos pacientes que utilizaram o tratamento quimioterápico combinado com pembrolizumabe versus quimioterapia utilizada como terapia única (HR = 0,52 [95% CI, 0,43-0,64]; p <0,001)1.

“Este é um novo paradigma de tratamento para pacientes com câncer de pulmão avançado. Os resultados do estudo (KEYNOTE 189) falam por si e, com a aprovação da combinação, será possível oferecer a nova estratégia de tratamento para um número muito maior de pacientes. Além disso, a combinação de terapia anti-PD-1 à quimioterapia não aumentou de forma significativa a toxicidade do tratamento, um ponto muito positivo da estratégia”, explica o Dr. Vladmir Lima, oncologista do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT).

Pembrolizumabe é a primeira imunoterapia a prolongar significativamente a sobrevida de pacientes com CPNPC com histologia não escamosa em combinação com quimioterapia como tratamento em primeira linha.

“Estamos muito felizes com este resultado de pembrolizumabe em combinação com quimioterapia. É a oportunidade de mudarmos a vida dos pacientes com câncer de pulmão do tipo não pequenas células, não escamoso, metastático, responsável pelo maior número de mortes por câncer no mundo. Com este resultado, os pacientes terão a chance de serem tratados, independente da expressão de PD-L1, com uma terapia que prolonga a sua sobrevida de forma significativa. Sem dúvida um marco na história do tratamento do câncer de pulmão”, afirma a Dra. Marcia Datz Abadi, Diretora Médica de Oncologia da MSD Brasil.

O câncer de pulmão é considerado o mais comum e letal entre todos os tumores malignos. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para este ano é de 30 mil novos casos diagnosticados no Brasil[2], sendo o de não pequenas células o mais comum – correspondente a 85% de todos os casos[3]. Nos Estados Unidos, 222 mil americanos são diagnosticados a cada ano e o câncer de pulmão é o segundo tumor mais comum no país[4]. Segundo as estimativas globais, apenas 1% dos pacientes com câncer de pulmão avançado estão vivos cinco anos após o diagnóstico[5].

Pembrolizumabe já pode ser usado no Brasil para o tratamento em primeira linha de melanoma avançado (o tipo mais letal do câncer de pele), para pacientes com câncer de pulmão avançado, do tipo células não pequenas, (CPCNP), com expressão elevada ou moderada do biomarcador PD-L1 no tumor (expressão ≥50% ou 1%<49%) e tratamento de câncer urotelial (o mais comum é o câncer de bexiga). O medicamento também foi aprovado este ano para tratamento de câncer gástrico (o mais comum é o de estômago), após falha de duas terapias prévias.

A imunoterapia anti PD-1 da MSD está sendo avaliada para mais de 30 tipos de tumores em 790[6] estudos clínicos. No Brasil, o medicamento está sendo pesquisado em mais de 29 ensaios clínicos, com cerca de 232 instituições envolvidas e mais de 500 pacientes em tratamento.

Vale ressaltar que a edição do ASCO 2018 - Congresso da American Society of Clinical Oncology - contou com mais de 140 trabalhos avaliando pembrolizumabe para mais de 25 tipos de tumores.

Sobre o estudo KEYNOTE-189

KEYNOTE-189 é um estudo fase 3, randomizado, duplo cego, controlado com placebo, que avaliou o uso de pembrolizumabe (Keytruda) em combinação com quimioterapia (pemetrexede e cisplatina ou carboplatina) em pacientes com câncer de pulmão - do tipo não pequenas células (CPNPC), metastático e não escamoso, independente de expressão do biomarcador PD-L1 nas células do tumor.

Foram avaliados 616 pacientes, randomizados 2:1, para receberem pembrolizumabe (dose fixa de 200 mg a cada três semanas), em combinação com pemetrexede (500 mg/m2) mais cisplatina (75 mg/m2) ou carboplatina AUC 5 uma vez, a cada 3 semanas (Q3W) durante 4 ciclos, seguido de manutenção com pembrolizumabe e pemetrexede versus placebo combinado com quimioterapia (pemetrexede500 mg/m2) mais cisplatina (75 mg/m2) ou carboplatina AUC 5 uma vez, a cada 3 semanas (Q3W), durante 4 ciclos seguido de manutenção com placebo e pemetrexede.

O estudo KEYNOTE-189 teve acompanhamento médio de 10,5 meses (variação de 0,2-20,4 meses). Os resultados apresentaram aumento de Sobrevida Global (SG), com redução de 51% no risco de morte no braço de pembrolizumabe (Keytruda), quando comparado com quimioterapia (pemetrexedee cisplatina ou carboplatina) (HR = 0,49 [IC 95%, 0,38-0,64]; p <0,001). No estudo, 69,2% dos pacientes estavam vivos após 12 meses no grupo de tratamento combinado com pembrolizumabe (95% CI, 64,1-73,8%) em comparação com 49,4% ao grupo que utilizou somente quimioterapia como terapia (95% CI, 42,1-56,2%)1.

O estudo apresentou também melhora significativa na Sobrevida Livre de Progressão com o tratamento combinado de pembrolizumabe (Keytruda) com quimioterapia, onde apresentou redução de 48% no risco de progressão ou morte em comparação com quimioterapia (HR = 0,52 [IC 95%, 0,43 -0,64]; p <0,001). A Sobrevida Livre de Progressão mediana foi de 8,8 meses para o combo de pembrolizumabe e quimioterapia (95% CI, 7,6-9,2) em comparação com 4,9 meses para quimioterapia (IC 95%, 4,7-5,5) utilizada como terapia única. A porcentagem de pacientes que não tiveram progressão da doença aos 12 meses foi de 34,1% no grupo tratado com pembrolizumabe e quimioterapia (IC95%, 28,8-39,5%), quase o dobro da porcentagem do grupo tratado com quimioterapia (17,3% [95% IC, 12,0-23,5%])1.

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