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Segunda, 27 Julho 2015 09:47

Uma reflexão sobre o que é lixo

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Olhe o cesto de lixo de sua casa com atenção. Muito do que jogamos fora poderia ser útil para outras pessoas.

 

Há quem possa estranhar e até mesmo discordar da afirmação a seguir, mas trata-se de um fato – nem tudo o que vai para o lixo é lixo.
É natural que muitas pessoas associem essa frase com a coleta seletiva, pois materiais recicláveis como garrafas pet, papelão, diversos tipos de metais e plásticos, entre outros, podem ser reciclados e representam o sustento de milhares de catadores. Realmente, é cada vez mais importante a separação do resíduo orgânico do seco e que o maior número de pessoas participe da coleta seletiva, seja verificando o dia em que o serviço é prestado e disponibilizando o material no horário correto, ou então levando para um ecoponto.
Mas o lixo que não é lixo vai além dos materiais recicláveis.
Também está enganado quem pensa que estamos nos referindo ao brinco, caderno de receitas, relógio ou de uma infinidade de outros objetos (muitos deles de alto valor material ou então sentimental) que, por distração, jogamos no cesto de lixo e têm como destino o aterro sanitário.
Como os coletores de lixo simplesmente pegam os sacos que deixamos na calçada de nossas casas e jogam no caminhão, é praticamente impossível saber o que tem dentro de cada um. Mais. Seria inviável os coletores abrirem saco por saco antes de jogá-los no caminhão.
O lixo que não é lixo sobre o qual nos referimos aqui é aquele que, para nós não tem mais valor, mas para outras pessoas ainda pode ser bastante útil. A lista é grande. Ela começa por aquele caderno da escola que teve poucas folhas utilizadas, passa pela roupa ou calçado que cansamos de usar e chega até móveis e eletrodomésticos, como armários e lavadoras, que dispensamos quando compramos um novo.
Nos casos acima, apenas para dar alguns exemplos, o caderno pode ser útil em orfanatos ou abrigos para crianças carentes. A roupa ou calçado que consideramos fora de moda pode aquecer e proteger os pés de uma pessoa que não tem o que vestir ou calçar. O armário e a lavadora podem ser encaminhados para instituições de caridade que renovam ou reformam o produto e depois o vendem, angariando recursos para continuar dando assistência a necessitados.
Como estamos no início do inverno e as campanhas de agasalho estão a pleno vapor, é fácil lembrar de dar um destino mais digno àquelas roupas que não usamos mais. Mais importante do que isso, contudo, é ter claro que, durante todos os meses do ano, em todas as estações, sempre há alguém que pode fazer bom uso daquilo que, sem pensarmos muito, jogamos no lixo.
Um parente, um amigo ou colega, o amigo de um amigo, enfim, sempre tem alguém que pode fazer bom uso de muitas coisas que, de forma impensada, jogamos no cesto de lixo ou largamos na calçada. Muitas vezes, nem se trata de pessoas carentes. Há diversos artistas plásticos que produzem verdadeiras obras de arte com materiais que são lixo para nós.
Antes de jogar algo no lixo, vamos parar e pensar se aquilo não pode ser útil de alguma forma para alguém. Recursos para tanto não faltam. Uma busca rápida na internet ajuda a saber, por exemplo, que aquele cobertor rasgado ou puído não deve ser levado aos pontos de coleta da campanha do agasalho, mas ele é muito bem-vindo em casas que abrigam cães e gatos abandonados.
Basta um pouco de boa vontade para ajudarmos uma pessoa, um animal, o meio ambiente e, no final das contas, a nós mesmos. Para tanto, precisamos começar a rever o conceito que temos em relação ao lixo e ter claro que lixo é aquilo que não pode mais ser aproveitado de nenhuma maneira, por ninguém.

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Ligia Minaro

Jornalista Responsável: Ligia Minaro - MTB 33.856

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