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Quinta, 11 Dezembro 2014 10:53

Fachada de prédios que compõem a História de São Paulo são restauradas

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Os prédios históricos números 148 e 184, do Pátio do Colégio, abrigam repartições do governo paulista desde 1891

 

O governador Geraldo Alckmin entregou nesta quarta-feira, 11, a fachada restaurada da sede da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, composta por dois prédios históricos e localizada no Pátio do Colégio, berço da Capital do Estado. A cerimônia de inauguração foi realizada na Capela São José de Anchieta e contou a participação especial da Camerata da Polícia Militar.

“Fizemos o restauro dos prédios sem nenhum custo ao governo porque a obra foi toda financiada pela iniciativa privada. Foram investidos R$ 5 milhões na restauração de dois prédios de grande valor histórico, de autoria do arquiteto Ramos de Azevedo”, disse Alckmin. “Os prédios foram inaugurados para abrigar a sede do governo de São Paulo, chamada à época de Largo dos Palácios”, completou o governador ao frisar ainda que essa obra é importante para a revitalização do Centro de São Paulo.

Os prédios históricos números 148 e 184, do Pátio do Colégio, abrigam repartições do governo paulista desde 1891. São manifestações concretas das transformações pelas quais a sociedade paulista passou. Projetados pelo arquiteto Ramos de Azevedo, as edificações marcam a transição do período imperial ao republicano.

Para a secretária da Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, restaurar um patrimônio histórico no centro de São Paulo permite novos olhares e um resgate sobre o passado. “É com imenso orgulho que vamos devolver essa obra para a cidade de São Paulo. O centro é sempre o local de maior identidade de uma cidade”, ressalta.

O projeto de restauração foi assinado em junho de 2013 e, em novembro, a Companhia de Restauro fez um escaneamento 3D dos dois prédios com tecnologia italiana, que realizou a análise exata da largura, altura e profundidade dos objetos decorativos da Secretaria e o emprego dos insumos adequados para os reparos. Os materiais e métodos que serão aplicados no restauro foram submetidos à apreciação e aprovação dos órgãos de proteção ao patrimônio histórico.

Essa primeira fase da obra contemplou o restauro das fachadas e dos telhados dos dois prédios, a execução de obras de acessibilidade e, ainda, a elaboração de projetos de restauração e reparo das demais áreas da Secretaria.

Com a entrega das fachadas restauradas, o Governo do Estado antecipa-se ao aniversário de São Paulo que, em 25 de janeiro completa 461 anos, e entrega um presente prévio à população.

128 anos de história

Em 1886, quando o arquiteto Ramos de Azevedo foi convidado para realizar um prédio público na capital paulista – o primeiro de seu repertório –, a proposta do Governo de São Paulo era de abrigar suas principais repartições: secretarias do Interior e Instrucção (conforme grafia da época) Pública; de Justiça e Segurança Pública; e da Agricultura, Commercio e Obras Públicas.

Em 1987, o prédio nº 148 foi denominado “Palácio Ernesto Leme”, em homenagem ao jurista que ocupou o cargo de secretário da Justiça entre 1964 e 1965. Em 1998, o edifício nº 184 foi batizado com o nome do secretário que exerceu o cargo entre 1975 e 1979, passando a se chamar “Palácio Manoel Pedro Pimentel”.

No subsolo do edifício nº 184, que também abrigou a Secretaria da Fazenda e do Tesouro, salas-cofres eram trancadas com portas blindadas, de fabricação inglesa. No prédio nº 148, a “Bibliotheca” preserva raridades de mais de 100 anos e mantém as regras de classificação dos títulos de 1890. No assoalho da biblioteca é possível observar a marca de corte da passagem subterrânea que ligava os dois prédios, assim como a outros pontos turísticos do Centro – a passagem foi fechada em meados do século XX por questões sanitárias.

Os detalhes dos tijolos e a cor suave das paredes são uma marca do estilo neoclassicista, predileção do arquiteto Ramos de Azevedo, que impulsionou o movimento de modernização urbana de São Paulo. O conjunto arquitetônico da Secretaria da Justiça foi tombado pelo Decreto Municipal nº 26.818, de 09 de setembro de 1988, como integrante do acervo a ser preservado no núcleo histórico do “Pateo do Colégio”.

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