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Terça, 30 Outubro 2018 13:20

A importância do afeto para as crianças

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Outubro é o mês das crianças e esta data geralmente nos remete ao ato de presentear os pequenos. Mas afinal, qual é o papel do adulto na vida das crianças? Como psicóloga e vou falar através do ponto de vista da ciência.

E ao falar deste assunto, um pesquisador não pode ser deixado de lado, o inglês John Bowlby (1907-1990) psiquiatra, especialista em psiquiatria infantil que estudou o apego e o considerou como um mecanismo básico dos seres humanos. “O papel do apego na vida dos seres humanos envolve o conhecimento de que uma figura importante está disponível e oferece respostas, a função principal atribuída a esse comportamento é biológica e corresponde a uma necessidade de proteção e segurança (BOWLBY, 1973/1984)”*.
Antes de falar do apego, vale lembrar algo que todos sabemos: que o papel dos adultos e principalmente dos cuidadores é o de educar, ou seja, ensinar e orientar a criança com relação ao que é esperado dela. Diferente de muitos seres vivos que já nascem “prontos” para uma vida independente, os seres humanos nascem totalmente dependentes dos outros, que podem ser seus pais ou outros que assumam esse papel, a pessoa em si não importa, mas sim a qualidade da interação. Nós precisamos do cuidado e orientação do outro para que possamos nos alimentar, receber cuidados de saúde, aprender a andar, falar e se comportar em sociedade. Assim o papel do adulto na vida da criança é essencial. Quando se fala na importância do exemplo na neste contexto, não é apenas uma frase de efeito, é uma afirmação verdadeira, visto que os valores são passados entre as culturas e famílias, então, aquilo que a criança observar e vivenciar, será o que ela aprenderá.
E o apego, ou seja, o vinculo afetivo na vida de uma criança é um ingrediente importante, sem ele, danos sérios podem ocorrer. Um estudo realizado pelo professor Charles Nelson baseado em 60 crianças carentes da Romênia, que passaram suas infâncias em abrigos e que não foram expostas a praticamente nenhum estímulo cognitivo ou vínculo afetivo. Os choques vividos pelos pequenos acarretaram graves resultados negativos. As crianças romenas que viveram sem estímulo e sem afeto, apresentaram uma baixa de 30 pontos de QI (Quociente de Inteligência), em comparação outras que cresceram sob os cuidados dos pais. As imagens da atividade cerebral das crianças de abrigo mostram perfeitamente o abandono e a carência, quando são comparadas às imagens da atividade cerebral normal para a idade. Concluiu-se, então, que a arquitetura cerebral foi afetada, o que ocasionou problemas emocionais e de aprendizado.**
Proporcionar boas relações para crianças, em ambientes seguros e acolhedores, com oportunidades para desenvolver todas as habilidades de vida é o papel dos adultos. A escolha de ser pai ou cuidador deve vir acompanhada da responsabilidade de orientar, educar e principalmente de amar.


Juliana Ferreira
Psicóloga e Coach
CRP 06/89876

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