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Quinta, 05 Abril 2018 09:27

Prefeitura interdita o Hotel Parque D. Pedro

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A Prefeitura Regional da Sé interditou na manhã desta quarta-feira (04/04) o Hotel Parque D. Pedro, que fazia parte do programa De Braços Abertos.

A situação de insalubridade do local e o risco iminente de acidentes, decorrente do furto de janelas, da fiação e dos extintores, com instalações elétricas improvisadas, tornaram a interdição urgente e necessária. Havia ainda relatos constantes de ameaças aos funcionários da organização social responsável pela administração do hotel.

Os beneficiários foram encaminhados para equipamentos municipais de assistência social, que possibilitarão um tratamento humanitário, em que serão preservadas a autonomia, bem-estar e acompanhamento médico especializado e individualizado.

O Parque D. Pedro é o terceiro, de um total de sete hotéis, a ser fechado pela atual gestão por total falta de segurança e higiene. Os demais espaços que se mostrarem inadequados serão fechados assim que forem disponibilizadas vagas nos equipamentos adequados que estão sendo entregues pela administração.

ENCAMINHAMENTOS

O último levantamento feito pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) aponta que o Hotel Parque D. Pedro contava com 88 beneficiários cadastrados, mas uma parte deles já não morava no local. Houve o encaminhamento de 24 pessoas ao longo de março, incluindo quatro crianças, para equipamentos públicos municipais. Na manhã desta quarta, havia 18 pessoas no hotel, dos quais 13 adultos (incluindo duas mães) e cinco crianças.

A SMADS ofereceu aos beneficiários mais de 90 vagas no CTA Aricanduva, CTA II Aparecida, República Santana, CTA Santana, CTA Brás, CTA Liberdade, CTA Brigadeiro Galvão, Família em Foco Mooca, Hotel Heliópolis e CAE Família Ermelino Matarazzo. Nos novos espaços oferecidos pela atual gestão, esses dependentes têm acesso a acompanhamento de equipes da saúde e assistência social, além de políticas de capacitação para a retomada da própria autonomia.

BOLSAS DE TRABALHO

A concessão de bolsas em dinheiro mediante pequenos serviços de varrição e zeladoria, também introduzido pelo De Braços Abertos, foi outro equívoco comprovado pelos resultados, como a baixa frequência dos beneficiários, capacitação profissional reduzida e poucas colocações no mercado formal. Em cinco meses, apenas 37 dos inscritos tinham uma frequência de ao menos 75% dos dias úteis nas frentes de trabalho. Cinquenta pessoas possuem entre 74% e 50% de frequência e 103 pessoas possuem menos do que 50% de frequência. Outros 3 beneficiários estão presos e 18 com atestado médico.

Até março, 263 pessoas foram atendidas pelo Braços Abertos no Programa Operação Trabalho (POT). Destas, 220 já não poderiam continuar recebendo a bolsa, pois a legislação que regulamenta o programa, criada na gestão anterior, limita o benefício a 24 meses. As 43 pessoas que ainda podem receber o auxílio do POT foram direcionadas para outras frentes de trabalho, onde continuarão recebendo uma bolsa, na medida em que desempenharão atividade profissional e de qualificação.

REDENÇÃO

Diante das falhas graves de segurança e higiene dos hotéis e do fracasso da política de bolsas, o programa De Braços Abertos se mostrou totalmente inadequado para a efetiva recuperação dos dependentes químicos, que nunca deixaram de frequentar o fluxo. O que se constatou, na prática, foi que a região da Luz teve quatro quarteirões tomados inteiramente pelo tráfico, que também se fazia presente nos hotéis. Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, houve crescimento do número de consumidores de drogas na região, conforme comprovado por pesquisa patrocinada pelo PNUD. O chamado fluxo dobrou de tamanho: de cerca de 900 pessoas para mais 1800.

O programa Redenção, lançado em maio passado para substituir o modelo equivocado da gestão anterior, tem como principais diretrizes tratar o paciente com dependência química em sua integralidade, durante e após a desintoxicação, e disponibilizar equipes de abordagem e acolhimento no território, permanentemente. Ele prevê ainda, a cada paciente abordado, o Projeto Terapêutico Singular (PTS), ou tratamento de acordo com as especificidades da fisiopatologia de cada indivíduo, através de política de redução de danos e/ou promoção de abstinência.

A Prefeitura de São Paulo criou a maior rede de atendimento social e de saúde para usuários de álcool e drogas do país. Foram criados cinco centros de assistência aos usuários, os ATENDE, três dos quais na região da Luz. Até o final do ano foram feitos mais de 350 mil atendimentos nessas estruturas. Também foram realizados mais de 76 mil atendimentos de saúde, incluindo mais de 5 mil encaminhamentos para tratamento ou internação, todas voluntárias.

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Ligia Minaro

Jornalista Responsável: Ligia Minaro - MTB 33.856