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Sexta, 01 Junho 2018 09:09

Risco de tragédia na Zona Leste Destaque

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O Wilton Paes de Almeida de Itaquera

Uma tragédia anunciada, por mais que a frase possa vir a denotar um mero clichê, é , sem dúvida alguma a mais adequada ao prédio localizado na avenida Harry Dannemberg em Itaquera. Erguido ainda no início da década de 90, o prédio apresentava uma estrutura moderna e arrojada para os padrões da época. Empresários e emergentes adquiriram unidades ou demonstraram interesse, mas a obra foi embargada e assim o espaço acabou sendo - pouco a pouco ocupado por grupos de sem teto e assim se tornou uma “terra de ninguém” ou, de muitos “alguéns” que vêem na barbárie urbana, uma fonte de dinheiro rápido. O fato é um só: há décadas sem nenhum tipo de manutenção, o imóvel pode sim reeditar em Itaquera a tragédia de 1° de maio no Largo do Paissandu.

 

No vai e vem de carros, caminhões e de ônibus com o rápido trânsito poucos devem parar para observar o dantesco quadro que se tornou o edifício construído com ares de modernidade. Roupas penduradas, janelas fechadas com restos de madeira, crianças brincando em sacadas sem parapeito, em alturas de 30 , 40 metros. Isso mesmo, com alturas de 40 metros crianças brincam e mal sabem do risco que correm. Fios entrelaçados denunciam a precariedade dos “gatos” de eletricidade. Quando se para observar mais este descaso, a imagem choca até mesmo o mais empedrado dos corações.
A reportagem do Fato Paulista tentou ouvir os comerciantes do entorno, mas o medo de represálias por parte dos moradores é tamanho, que teve comerciante que disse que nunca percebeu que as ruínas estavam ocupadas. Outros porém afirmam - pedindo o anonimato, que o local é mesmo uma terra de ninguém, com leis próprias e que dificilmente alguém do Poder Público teria coragem de adentrar ao local. “Não é qualquer fiscal da Prefeitura que tem coragem de entrar ai, se entrar é capaz de não voltar. O clima ai é pesado”, disse o comerciante. Ele afirmou ainda que existem famílias que ali moram há muitos anos, crianças ali nasceram e cresceram.
A própria equipe do Fato Paulista pôde testemunhar a truculência dos moradores. Quando o repórter fotográfico apenas fez uma única foto da fachada do prédio foi suficiente para logo surgirem gritos vindos dos andares altos do prédio, gritos em tom ameaçador: “sai daqui o arrombado”, “aqui quem manda é nós”, “vamos pegar você”, é o que alardeava um grupo de homens de uma das sacadas sem parapeito. Uma cena típica de filmes como Cidade de Deus. Outro comerciante - também temendo por represálias pediu para não se identificar informou que os verdadeiros líderes não moram no local e aparecem “de vez em quando”.
O direito a moradia é uma garantia constitucional de acordo com o artigo 6 da Capítulo II da Constituição Federal.  ””Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. Claro que foi base neste preceito que líderes e manipuladores acharam a justificativa para colocarem a vida em risco de crianças inocentes.
Mas vale destacar que a mesma Constituição de 1988 garante o direito a vida em seu capitulo 1° artigo 5° “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes...” . Graças a inércia do Poder Público por décadas este direito básico está sendo sonegado a crianças que ali moram, crianças que não pediram para chegarem a este mundo desigual que lhes tem negado o direito à vida.

Prefeitura Regional de Itaquera informa que está tomando providências

Em nota o a Regional de Itaquera informou que vem tentando remover os ocupantes desde o início do ano e que o prédio é de propriedade particular e que desde 9 de março existe uma determinação judicial para que os moradores deixem o local, a decisão citou também os proprietários do prédio. Abaixo a integra da nota.

NOTA
Sobre a estrutura inacabada situada à Rua Harry Dannemberg, nº 698 e 700, ocupada de maneira irregular, a Prefeitura Regional de Itaquera esclarece que a mesma é de propriedade particular. No entanto, foram lavrados autos de interdição determinando a desocupação do imóvel, de intimação e fiscalização, com a aplicação de multa, bem como em 12 de janeiro de 2018, foi formalizada uma representação criminal para a apuração de crime de desobediência.  A administração municipal acrescenta ainda que em 09 de março de 2018, houve uma determinação judicial para que os ocupantes deixem a edificação. A decisão, concluída da na mesma data, cita também os proprietários do imóvel, para que estes tomem providências efetivas para impedir novas invasões no local.
 Att,
Fernanda Genovez
Assessora de Comunicação
Prefeitura Regional Itaquera

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Luiz Mário Romero

Diretor Responsável: Luiz Mário Romero - MTB 34.256

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