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Sábado, 28 Janeiro 2017 11:09

Mais de 112 mil na fila por moradia Destaque

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Dramáticas reintegrações de posse caminham lado a lado com o déficit habitacional

 

São cerca de 112 mil pessoas que aguardam na fila dos programas  habitacionais a espera do “teto próprio”, algumas pessoas aguardam a mais de uma década, desde 2005. As informações são do site Habita São Paulo, que também informa que atualmente 30.741 pessoas recebem auxílio aluguel na cidade de São Paulo e o mais alarmante: existem casos de pessoas que recebem o benefício desde 2005.

O ano era 1998 o Jardim São Carlos em Guaianazes amanhecia com a “visita” de tropa de choque , tratores e oficiais de Justiça. Centenas de famílias foram despejadas a “toque de caixa” em mais uma truculenta reintegração de posse. A cena era dantesca. O suposto proprietário mostrava aos oficiais de Justiça o que “era seu” e os moradores eram intimados naquele momento a entregarem o imóvel. Idosos, grávidas, cadeirantes desesperados mostravam os recibos que tinham pago, mostravam pastas com papeis e mais recibos, mas tudo foi em vão. A reintegração aconteceu em meio a tropa de choque e tratores que derrubavam as moradias. De nada valeram na época os apelos de gente como o então deputado estadual Jamil Murad e o sindicalista Rubens Fernandes Gil, que ali estavam apoiando as famílias.
Dezenove anos depois, segunda década do século 21, janeiro de 2017 mais uma dramática reintegração de posse soma-se as que tem acontecido corriqueiramente desde aquela de 1998. Desta vez o “palco do dantesco espetáculo” foi em São Mateus, no Jardim Colonial, na rua André de Almeida, mas o “roteiro” era o mesmo: tropa de choque, tratores, mães, idosos e crianças desesperadas e mais uma vez o ser - humano vira número em estatísticas de burocratas, que mal sabem o que é morar em bairro sem esgoto, sem água encanada sem o mínimo de infra-estrutura. Desta vez o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos acabou detido e encaminhado ao 49º DP de São Mateus.
Os desabrigados do Jardim Colonial agora vão engrossar a lista de famílias que esperam por uma moradia popular e aumentar o número que passa de 112 mil pessoas que aguardam na fila. Enquanto isso, enquanto crianças e idosos dormem ao relento e esperam a “sua vez”, muitas vezes uma esperança em vão, os números “são analisados”, os programas habitacionais anunciados, mas nada que supre o déficit que a cada dia cresce, enquanto muitos nascem, crescem, chegam a idade adulta sem o mínimo em qualquer sociedade desenvolvida: a casa própria.

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Luiz Mário Romero

Diretor Responsável: Luiz Mário Romero - MTB 34.256